REANIMAL - Análise
Terror, curiosidade e simplicidade


André Ramos
21/02/26, 19:51
Atualizado a
REANIMAL é um jogo de terror peculiar
Da mesma equipa que nos trouxe Little Nightmares e Little Nightmares II chega REANIMAL. Um jogo que mantém a estética a que ficámos habituados nesses títulos, mas com uma "narrativa" diferente. E narrativa no sentido mais vago possível.
A premissa de REANIMAL é simples: um rapaz e uma rapariga que tentam resgatar os seus amigos. É isso. Mas aquilo que decorre ao longo da campanha leva-nos a questionar as relações entre eles e o próprio mundo que os rodeia.
Quando anteriormente falei de narrativa como um termo vago neste jogo, refiro-me ao facto de sermos constantemente convidados a especular sobre o verdadeiro significado de cada momento, cada situação, cada personagem, cada inimigo, cada localização — e, acima de tudo, o que é realmente REANIMAL?
Posto isto, não quero partilhar a minha teoria, porque sinto que essa é uma questão extremamente pessoal. Posso apenas dizer que, apesar de tudo decorrer num cenário "ficcional", as mensagens ou alusões a aspetos de cada um de nós são bem reais.
Talvez possa parecer "tolinho" por dizer isto. Talvez alguns de vós pensem: "Está tudo bem? É só um jogo, não tem esses sentidos todos". E a essas pessoas só tenho a dizer: talvez sim. Mas já tentaram ler as entrelinhas de algo que parece ser óbvio demais? Experimentem. Pode ser que não fiquem desiludidos.
Gameplay simples e descomplicado e uma estética imersiva
Em REANIMAL temos controlos extremamente simplistas: saltar, agachar, correr, interagir com objetos e atacar (surpreendentemente) — ainda que apenas em situações muito específicas.
O jogo permite campanha em coop e acredito que é uma experiência que merece — ou até devia — ser vivida com um amigo. No meu caso, joguei com um amigo e foi fascinante observar a interpretação (ou a falta dela) de cada um perante certos momentos. Como existe Friend Pass e apenas um jogador precisa de comprar o jogo, é algo que aconselho fortemente.
Posso dizer com confiança que, apesar de não ser o projeto mais impressionante a nível técnico, REANIMAL é eye candy do início ao fim. A direção artística, embora simples, funciona e é genuinamente bonita de se ver. Desde os cenários mais serenos aos mais grotescos, dos mais banais aos mais caóticos.
Tudo isto é acompanhado por uma banda sonora que classificaria como uma espécie de ambient soundscape — talvez seja o termo técnico mais adequado. A OST é subtil, mas é precisamente essa subtileza que faz a diferença entre uma situação serena e um momento de ansiedade.
O design de tudo — das personagens aos NPCs, e tudo pelo meio — tem um propósito claro e cumpre-o bem.
É um jogo simples, mas eficaz
Em termos de otimização, REANIMAL não apresenta problemas. Corre extremamente bem.
Posso apenas referir a existência de alguns bugs — nada gamebreaking — que, em certas ocasiões, acabaram por causar a nossa morte. Por vezes entrávamos dentro da geometria de um objeto e não conseguíamos sair sem nos expormos ao perigo. Noutras situações, as personagens ficavam presas numa parede ou num objeto parcialmente oculto, dificultando perceber onde estávamos — apesar de existir uma funcionalidade que mostra os nossos nicks por cima das personagens.
Em termos de gameplay, houve uma secção em que notei ser extremamente difícil apontar uma arma muito específica. Não apenas por causa da movimentação da câmara, mas também devido ao movimento constante do nosso companheiro de coop. Infelizmente, não posso especificar qual é a arma sem entrar em spoilers, por isso fica apenas a nota.
Sinto que REANIMAL é um jogo particularmente difícil de analisar. Não só por ser curto, mas também por ser simples, acessível e direto. E nada disso são aspetos negativos. Pelo contrário — quando essa é a intenção e quando isso é suficiente para entregar a experiência pretendida, então talvez seja mesmo a melhor solução.
Ainda assim, não posso deixar de referir que, por 39,99€, esperava uma experiência um pouco mais longa. Não pela qualidade — que está lá — mas pela duração.
Prós:
Atmosfera e direção artística
A interpretação aberta da narrativa convida à reflexão
Experiência cooperativa muito boa
Banda sonora súbtil mas eficaz
Simplicidade que funciona
Contras:
Alguns bugs ocasionais
Secções com gameplay menos refinado
Duração curta para o preço
