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Ashes Of Creation Cancelado

Ashes Of Creation? Ashes Of Cancelation, melhor dito....

André Ramos

02/02/26, 20:05

Atualizado a

02/02/26, 20:05

Ashes of Creation cancelado e em colapso total

Durante anos, Ashes of Creation foi vendido como o MMO que ia mudar o género. Um mundo vivo, cidades dinâmicas conforme as ações dos jogadores, sistemas sociais e políticos com impacto real, economia dinâmica — era sempre apresentado como o projeto que queria ir mais longe do que todos os outros.


A expectativa foi sendo construída desde 2016: campanhas de financiamento, fases alpha, promessas ambiciosas e uma comunidade fiel que acompanhou cada passo do desenvolvimento. Ashes of Creation tornou-se o MMO mais ambicioso dos próximos anos e o mais esperado por muitos fãs do género.


Mas quando finalmente chegou ao Early Access da Steam, a realidade foi bem diferente.


O lançamento trouxe entusiasmo inicial, mas rapidamente começaram a acumular-se queixas: problemas técnicos, sistemas que ainda não estavam ao nível do que tinha sido prometido, mecânicas que pareciam inacabadas e uma sensação geral de que o jogo tinha chegado cedo demais a um público que esperava algo muito mais sólido. A conversa à volta do jogo começou a mudar — menos hype, mais frustração. Mas será que os fãs tinham as expecativas demasiado altas?


O que era suposto ser o início da grande fase do projeto acabou por ser o princípio do fim. O interesse caiu, a confiança começou a desmoronar e o discurso passou de “isto vai ser enorme” para “será que vale a pena?”. Muitos criadores de conteúdo e reviewers deram as suas opiniões ao longo dos anos: "não vale a pena", "é deixar dinheiro ao lixo", "não se metam nisso".


A resposta acabou por ser dura: Ashes of Creation foi oficialmente cancelado. Um projeto com anos de história, milhões investidos e uma base de jogadores expectantes chegou ao fim de forma abrupta, deixando a comunidade em choque e a tentar perceber como é que tudo terminou tão rápido.

Crise interna, demissões e uma gestão que levanta mais perguntas do que respostas

Se o estado do jogo já preocupava, o que se passou internamente levou a situação para outro nível.


A coisa começou a desmoronar-se de vez no final de janeiro de 2026, quando Steven Sharif — cofundador e diretor criativo da Intrepid Studios — anunciou que estava a renunciar ao cargo “em protesto” pelas decisões internas da administração que, segundo ele, não podia apoiar eticamente.


A partir daí, uma série de eventos tornou claro o fim do projecto. Vários membros seniores da equipa também se demitiram, incluindo figuras de alto perfil do estúdio. A administração emitiu avisos ao abrigo da WARN Act nos EUA (lei federal dos EUA que obriga empresas com 100 ou mais trabalhadores a dar um aviso prévio por escrito com 60 dias de antecedência antes de fechar instalações ou realizar demissões em massa), o que basicamente indicava que estavam para acontecer despedimentos em massa com efeito imediato — algo que normalmente sinaliza um encerramento iminente da empresa.


Poucos dias depois, ficou claro que a enorme maioria dos cerca de 200 desenvolvedores tinha sido despedida e que a Intrepid Studios tinha, de facto, encerrado.


No meio desta confusão toda, surgiram questões que só complicaram ainda mais toda a polémica: apesar de Sharif ter falado de “perda de controlo” da administração da empresa, registos públicos indicam que a administração era formada apenas por ele e pelo seu marido, John Moore, — o que levantou dúvidas e ceticismo na comunidade sobre a real estrutura interna da empresa.


Mesmo com o jogo ainda tecnicamente disponível na Steam e à venda por 49,99€, o seu futuro é agora praticamente inexistente. Estima-se que mais de 319.000 pessoas tenham comprado o título, gerando receitas de dezenas de milhões de dólares, o que levou a um enorme movimento de jogadores a pedir reembolsos imediatos através da plataforma da Valve.


Alguns fãs estão já a discutir possíveis ações legais coletivas, alegando que o jogo foi abandonado de forma abrupta e que as promessas feitas através da Kickstarter e durante o desenvolvimento não foram cumpridas — ainda que a implementação de early access tenha, tecnicamente, invalidado algumas das condições originais de reembolso.


No final, Ashes of Creation transformou-se de um dos projetos mais sonhados do género MMO num dos fracassos mais polémicos dos últimos anos — um aviso claro sobre os riscos de longos ciclos de desenvolvimento, de estruturas internas opacas e de expectativas que ultrapassam aquilo que uma equipa, por maior que seja, consegue realmente entregar. Também ficou ainda mais claro que muitas equipas não sabem como utilizar o modelo de acesso antecipado, tornando-o ainda mais indesejável aos olhos de muitos consumidores. Ainda assim, isto não se aplica a todos: casos de sucesso como Baldur's Gate 3 demonstram que, quando a equipa sabe como gerir um early access e mantém contacto constante com a sua comunidade, bons jogos podem ser criados.

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