Novidades PlayStation e Xbox
PlayStation toma novas decisões e Xbox anuncia novo projeto

André Ramos
10/03/26, 19:05
Atualizado a
10/03/26, 19:19
PlayStation pode estar a recuar no PC — e a testar novas ideias na PS Store
Nos últimos anos, a Sony investiu bastante em trazer alguns dos seus maiores jogos para PC. Títulos como Horizon Zero Dawn, God of War ou Marvel’s Spider‑Man Remastered abriram a porta para um público completamente novo fora do ecossistema PlayStation.
No entanto, segundo um relatório do jornalista Jason Schreier para a Bloomberg, a Sony poderá estar a rever essa estratégia. Fontes internas indicam que alguns ports planeados para PC foram cancelados e que a empresa poderá reduzir significativamente o número de lançamentos singleplayer fora da consola.
Entre os motivos apontados estão vendas abaixo do esperado de alguns ports e também receios internos de que disponibilizar jogos fora da consola possa prejudicar a identidade da marca e as vendas de hardware. Mas, aparentemente, projetos multiplayer ou live service parecem continuar planeados para múltiplas plataformas, o que sugere que a estratégia pode passar por manter exclusividade nos grandes jogos singleplayer, enquanto títulos mais focados em comunidade continuam a chegar a outros sistemas.
Mas, com vários projetos live service a falhar recentemente, será que a estratégia de continuar a investir nesse tipo de produto é viável? Isto depois do falhanço de Concord, de Highguard e, mais recentemente, do fecho da Bluepoint Studios, que tinha sido previamente adquirida pela Sony e, alegadamente, encarregue de desenvolver um live service no universo de God of War.
Os projetos singleplayer sempre foram os pontos fortes da PlayStation e as falhas de ports para PC têm sido um forte ponto de debate. Manter certos IPs exclusivos ao ecossistema PlayStation reduz a diversidade de configurações de sistemas para os quais os títulos têm de ser otimizados, dando novamente um controlo reforçado à Sony na forma como os seus jogos são apresentados e jogados.
Ao mesmo tempo, começaram a surgir relatos de que a PlayStation Store está a testar preços dinâmicos em certos mercados. A ideia seria ajustar o preço de alguns jogos com base em fatores como procura, atividade dos jogadores ou o tempo desde o lançamento. Este tipo de sistema já existe noutras lojas digitais, mas aplicado a videojogos levanta algumas questões — principalmente no que toca à transparência.
Dependendo de como for implementado, pode significar mais promoções… ou simplesmente preços a variar sem grande explicação. Isto leva muitos utilizadores a questionarem o porquê de aqueles que têm maior tendência — ou um maior número de compras na loja digital — poderem acabar prejudicados com preços superiores em comparação com preços mais baixos aplicados a utilizadores com menor volume de compras, numa tentativa de os incentivar a gastar mais na plataforma.
Project Helix — a próxima Xbox pode ser metade consola, metade PC
Do lado da Microsoft, as novidades giram em torno do Project Helix, o nome de código da próxima geração da Xbox. A nova CEO da divisão Xbox, Asha Sharma, confirmou publicamente o projeto numa publicação nas redes sociais, afirmando que a nova consola irá “liderar em performance” e será capaz de correr jogos de Xbox e de PC.
Na prática, tudo indica que a Microsoft quer aproximar ainda mais os dois ecossistemas. O Helix poderá funcionar quase como um híbrido entre consola e PC, permitindo jogar títulos de Xbox mas também jogos de PC diretamente na máquina. Isto encaixa na estratégia que a empresa tem seguido nos últimos anos, onde a marca Xbox deixou de estar ligada apenas a uma consola e passou a representar um ecossistema que inclui PC, cloud e serviços como o Xbox Game Pass.
Ainda há muitos detalhes por confirmar, mas alguns analistas da indústria já sugerem que o Helix pode ser um momento decisivo para o futuro do hardware da Xbox. Se funcionar, pode redefinir o que significa ter uma consola; se falhar, pode colocar em causa o papel tradicional da Microsoft no mercado das consolas.
Seja como for, entre uma Sony aparentemente a reforçar a importância da exclusividade e uma Microsoft a apostar cada vez mais num ecossistema aberto, a próxima geração de videojogos pode acabar por ser menos sobre quem tem a consola mais poderosa e mais sobre quem tem a estratégia mais inteligente para colocar mais pessoas a jogar — ou, simplesmente, a utilizar o seu ecossistema.
